O grau 2 ocorre quando entre 5% e 50% das fibras sofrem lesões. O processo inflamatório cria inchaço no local. A pressão do edema e das fibras rompidas sobre os vasos e nervos causa dor e hematomas. Há prejuízo da função muscular, dificultando movimentos que envolvem o músculo atingido.
No estiramento mais grave, de grau 3, a lesão atinge mais de 50% das fibras, causando ruptura completa ou de grande parte do tecido muscular atingido. Além da dor, o inchaço local é maior. "A hemorragia nos vasos locais pode causar hematomas visíveis e o músculo perde a sua funcionalidade --a capacidade de se contrair e se alongar para mover as articulações", diz Miranda Jr.
Uma precaução importante para evitar distensões, segundo Valéria Bondanha, do Laboratório de Fisiologia da Unicamp, é sempre fazer um aquecimento antes de se exercitar. "O que não considero interessante é fazer um alongamento muito intenso após um trabalho de força, como a musculação.
O ideal é fazer um alongamento suave, mais para relaxar os músculos do que para forçar a sua extensão", diz Bondanha.
Embora o alongamento seja uma boa maneira de aumentar a elasticidade muscular e a flexibilidade articular, Bondanha acredita que ele deva ser feito isolado da sessão de musculação -em dias alternados, por exemplo.
"A maior dificuldade para evitar a lesão é que o limite entre o esforço muscular benéfico, que estimula o fortalecimento ou o alongamento do músculo, e o que causa problemas é muito tênue. Por isso é fundamental que a atividade física seja introduzida de forma gradativa e bem orientada", diz Gil Lúcio Almeida, presidente do Crefito (Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional), regional São Paulo.
"Fisgada"
O segundo problema muscular mais comum, depois da distensão, é a contratura muscular. Não se trata propriamente de uma lesão, já que não há rompimento das fibras, mas uma disfunção do músculo. "Na contração, as fibras se entrelaçam e, depois, voltam à forma normal. Quando um grupo de fibras se contrai de forma descontrolada, elas não voltam ao seu comprimento normal", afirma Miranda Jr.
Quando isso acontece, normalmente a pessoa sente uma "fisgada" no local, e o músculo atingido fica endurecido. "A tensão [muscular] intensa gera a diminuição do fluxo sanguíneo para os músculos. Isso faz com que substâncias produzidas pelo corpo durante o esforço físico, como o ácido lático, por exemplo, não sejam removidas normalmente e se acumulem nos músculos, estimulando terminações nervosas responsáveis pela sensação de dor", diz a fisioterapeuta Claudia Maria Peres, da Unicamp.
A contratura pode ser causada por falta de alongamento muscular, por um esforço excessivo durante a realização de determinado movimento ou por fadiga muscular. Esta faz com que o músculo não consiga gerar energia para realizar as suas funções de contração e descontração das fibras.
A melhor maneira de evitar o problema, segundo Almeida, é trabalhar os músculos para que eles possam gerar força em condições fisiológicas ótimas: "Isto é, exercitando tanto a capacidade de contração quanto a de alongamento, para que essas duas forças opostas trabalhem em simetria", diz ele.
Os cuidados são os mesmos que devem ser tomados para evitar as distensões: prestar atenção aos limites do corpo e alternar exercícios de força com sessões de alongamento.
"Também é importante alternar exercícios estáticos, como os que mantêm a contração ou a extensão de um grupo muscular por um período de tempo, com exercícios dinâmicos, quando o alongamento ou a força são realizados com o corpo em movimento", acrescenta Miranda Jr.
O QUE FAZER
Na contratura
- Suspender imediatamente a atividade
- Repousar o músculo afetado
- Aplicar calor no local
- Procurar um médico do esporte ou fisioterapeuta
- Fazer alongamentos suaves com orientação de especialista
- Recomeçar gradativamente e com orientação de especialista os exercícios aeróbicos, para aumentar a oxigenação do músculo
Na distensão
- Suspender imediatamente a atividade
- Repousar o músculo afetado
- Aplicar gelo no local
- Não massagear nem aplicar calor
- Procurar um médico do esporte ou fisioterapeuta
- Nos graus mais graves, consultar o médico sobre o tipo de tratamento (medicamentoso,
cirúrgico etc.) indicado
Fontes: GIL LÚCIO ALMEIDA, presidente do Crefito (Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional), regional São Paulo; VERA APARECIDA MADRUGA FORTI, professora do Laboratório de Fisiologia do Exercício da Faculdade de Educação Física da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) |